Porto Alegre, 6 de dezembro de 2024 – O mercado brasileiro de feijão carioca passou por uma semana de liquidez mínima. Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, ela foi marcada por demanda fraca e preços em queda, o que resultou em pouquíssimos negócios. Logo no início da semana, os compradores adotaram uma postura cautelosa devido às retrações recentes nas cotações. Mesmo os lotes de melhor qualidade, como o padrão 9,5, caíram para R$ 270/sc, enquanto o padrão 9 chegou a ter pedidos de até R$ 255/sc, mas sem vendas concretizadas.
“A oferta se concentrou em Minas Gerais e São Paulo, com Goiás e Paraná contribuindo menos. Os feijões goianos, valorizados pela baixa umidade, foram os mais procurados, enquanto os recém-colhidos do Paraná apresentaram qualidade inferior. Na região de Itapeva (SP), a maior disponibilidade de grãos pressionou ainda mais os preços para baixo”, relatou.
Conforme Oliveria, na metade da semana, a oferta foi dominada por feijões comerciais com defeitos causados pelas chuvas, afastando os compradores, mesmo com descontos. “Lotes extras de Minas Gerais e Goiás continuaram sendo preferidos, mas seus preços elevados limitaram a competitividade em São Paulo. O ritmo lento de vendas reflete a aproximação da nova safra, mantendo a tendência de queda nos preços. Apesar disso, a oferta restrita pode aliviar parte da pressão nas próximas semanas”, afirmou.
No final da semana, a qualidade dos lotes permaneceu como o grande obstáculo. De acordo com o consultor, sem feijão de qualidade extra disponível, o interesse dos compradores foi mínimo. Além disso, o foco sazonal do varejo e atacado migrou para produtos como lentilhas, tradicionais nas festas de fim de ano. “Produtores resistem a oferecer grandes descontos, enquanto compradores evitam subir suas ofertas. Estoques baixos entre empacotadores indicam que a intensificação das compras deve ocorrer durante o pico da colheita da primeira safra”, disse.
Feijão preto segue o mesmo padrão
Assim como o carioca, o mercado do feijão preto também enfrentou baixa liquidez na semana. No início, os feijões de melhor qualidade tiveram pedidos máximos de R$ 280/sc, mas negócios isolados ocorreram entre R$ 270 e R$ 275/sc. Na Zona Cerealista de São Paulo, cargas comerciais boas foram ofertadas até R$ 260/sc, mas a demanda foi limitada, focada apenas em necessidades pontuais.
A pressão para queda nos preços continuou ao longo da semana, impulsionada pela alta oferta e falta de demanda consistente. A entrada de feijões do início da colheita no Rio Grande do Sul e Paraná aumentou ainda mais a disponibilidade, reforçando a tendência de queda.
Exportações
A estagnação nas vendas internas de feijão tem consolidado as exportações como principal via para escoar a produção, especialmente em meio ao cenário de dólar valorizado, que recentemente superou a marca histórica de R$ 6,00. Segundo o analista, essa conjuntura cambial favorece a competitividade do feijão brasileiro no mercado internacional.
“O câmbio atual cria um ambiente mais propício para a comercialização externa, ampliando as oportunidades para os produtores brasileiros e reduzindo a necessidade de importação do grão”, explicou.
Conforme Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), na balança comercial do feijão na temporada 2024/25, exportações superam importações em mais de oito vezes. Na temporada comercial de 2024/25, o Brasil exportou um total de 277,91 mil toneladas de feijão, gerando receitas de US$ 268,18 milhões, enquanto as importações somaram 33,06 mil toneladas, com gastos de US$ 28,88 milhões. O saldo comercial positivo reflete a boa demanda externa, especialmente de países como Índia, Venezuela e México.
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Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)
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