Com negociações em baixa, mercado de feijão registra estabilidade nos preços ao longo de novembro

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Imagem de Ariel Núñez Guzmán por Pixabay

Porto Alegre, 29 de novembro de 2024 – O mercado brasileiro de feijão foi marcado pela estabilidade de preços e baixa movimentação nas negociações em novembro. Além disso, condições climáticas desfavoráveis impactaram diretamente a qualidade dos grãos e a dinâmica das operações comerciais.

Durante o mês, houve maior demanda por feijões de alta qualidade, com destaque para os lotes nota 9 e 9,5, comercializados entre R$ 270,00 e R$ 290,00 por saca. Em contraste, os grãos de qualidade comercial tiveram menor aceitação devido a problemas como manchas e brotos, resultando em preços mais baixos, entre R$ 140,00 e R$ 150,00 por saca.

De acordo com o analista de Safras & Mercado, Gabriel Viana, as chuvas persistentes no sudoeste de São Paulo foram um dos maiores desafios para os produtores. Os lotes que têm sido ofertados apresentam problemas de coloração e defeitos, limitando ainda mais o interesse dos compradores.

“Além de atrasarem a colheita, aumentaram o risco de perdas qualitativas nos grãos, gerando incertezas sobre a oferta futura. Estados como Minas Gerais e Goiás se destacaram pela oferta de produtos de melhor qualidade, compensando parcialmente as limitações paulistas”, afirmou.

Segundo Viana, nesta sexta-feira (29), foram ofertadas 2,5 mil sacas, mas, até o fechamento do informativo, às 6h33, nenhum lote havia sido negociado, mantendo os preços em caráter nominal. Não havia feijões nota 9 e 9,5 extra disponíveis, o que contribuiu para a baixa atratividade do mercado.

Feijão preto

Já o mercado de feijão preto permaneceu travado, com o produto nacional oscilando entre R$ 240,00 e R$ 290,00 por saca, enquanto o importado da Argentina ultrapassava R$ 300,00. Apesar da valorização cambial favorecer as exportações, a demanda interna continuou enfraquecida.

A proximidade da nova safra no Sul do Brasil trouxe uma pressão adicional sobre os preços. Grãos de qualidade superior variaram entre R$ 320,00 e R$ 330,00 por saca, enquanto os de menor qualidade ficaram entre R$ 240,00 e R$ 270,00.

Os feriados no mês de novembro contribuíram para a retração do consumo no varejo e uma redução nas negociações. A maior parte das ofertas era de feijões comerciais com qualidade limitada, o que, aliado à cautela dos compradores, resultou em um mercado de baixa liquidez. Até o final do mês, lotes de feijões extra, nota 9 e 9,5, eram escassos, diminuindo a atratividade para negociações.

Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, com a previsão de melhora climática em São Paulo, há expectativa de que a colheita possa ganhar ritmo nas próximas semanas, embora as preocupações com a qualidade dos grãos persistam. Conforme Oliveria, para o feijão preto, a redução na diferença de preços em relação ao carioca pode estimular a demanda interna, enquanto o mercado externo deve continuar aproveitando o câmbio favorável.

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Ritiele Rodrigues – ritiele.rodrigues@safras.com.br (Safras News)

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