Café volta a buscar níveis históricos de alta em NY com preocupação com safra brasileira, mas realização reduz ganhos

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     Porto Alegre, 10 de dezembro de 2024 – A Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova York (ICE Futures US) para o café arábica encerrou as operações desta terça-feira com preços mais altos.

     Foi mais uma sessão de intensa volatilidade. Os preços dispararam e foram superando resistências, atingindo stops de vendidos, o que acelerou o movimento altista. Assim, NY renovou máximas históricas de 47 anos, com o contrato março batendo no topo do dia 348,35 centavos de dólar por libra-peso. Mais uma vez, o mercado reagiu às preocupações com a safra brasileira de 2025 e os efeitos na oferta global. Estimativa da Volcafé acentuou as apreensões.

     Os ganhos foram reduzidos, entretanto, por movimentos de correção técnica e realização de lucros. Isso cortou bruscamente os ganhos do mercado.

     A Volcafe reduziu sua previsão para a produção de arábica no Brasil após uma visita técnica revelar a gravidade de uma seca prolongada no maior produtor mundial. A produção do Brasil está estimada em apenas 34,4 milhões de sacas de café arábica na próxima safra, cerca de 11 milhões de sacas a menos do que a estimativa de setembro, de acordo com uma apresentação vista pela Bloomberg News. Isso coloca a produção global de café no caminho de um déficit de 8,5 milhões de sacas na temporada 2025/26, marcando um inédito quinto ano consecutivo de déficits, segundo o relatório.

    O Brasil tinha o potencial de mover o equilíbrio global de oferta e demanda para um excedente muito necessário, disse a Volcafe. No entanto, os resultados da nossa visita técnica indicam níveis significativamente altos de falha na florada.

    As estimativas são baseadas em uma análise de 1.850 fazendas amostrais, que demonstraram o impacto severo do clima sobre os cafeeiros, segundo o relatório. Uma seca prolongada de abril a setembro esgotou a umidade do solo, fez as folhas caírem e impediu a florada. As árvores que conseguiram florescer não desenvolveram frutos.

    A perspectiva para 2025/26 é pior do que a da safra atual, em que a produção brasileira de arábica deve ser de 43,3 milhões de sacas, resultando em um déficit global de 5,5 milhões de sacas. Cada saca pesa 60 quilos (132 libras).

    A perda da safra de arábica do Brasil 2025-26 é um alerta crítico para a perspectiva da estrutura do mercado, afirmou a Volcafe. Os estoques certificados mantidos pela bolsa de futuros agora têm poucas chances de atingir o patamar necessário que ajudaria o mercado a entrar em uma estrutura onde os preços atuais são menores do que os preços futuros.

     Os contratos com entrega em março/2025 fecharam a 334,15 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 4,05 centavos, ou de 1,2%. A posição maio/2025 fechou a 331,55 centavos, ganho de 3,90 centavos, ou de 1,2%.

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Lessandro Carvalho (lessandro@safras.com.br) / Safras News

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